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Data: 12/3/2010

Disputa entre montadoras e independentes volta ao Cade
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abertura de processo administrativo para investigação da conduta das montadoras no segmento de reposição de peças para automóveis, um mercado que movimentou mais de R$ 57 bilhões no ano passado e é marcado pela queda de braço acirrada entre fabricantes independentes de autopeças e a indústria automobilística.

Nessa instância, a briga envolve a tentativa das fabricantes independentes de autopeças de impedir as montadoras de patentear componentes externos, como capôs e faróis, o que as impossibilitaria de produzir tais itens e de vendê-los no mercado de reposição. A disputa jurídica teve início em 2007, quando a Associação Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Anfape) encaminhou representação à Secretaria de Defesa Econômica (SDE), que recomendou o arquivamento do processo - postura semelhante foi adotada pelo próprio Cade no início de 2009. Agora, o MPF deve reacender o debate, conforme parecer que será publicado no Diário Oficial hoje ou nos próximos dias. "O que pedimos é que se abra ao menos uma investigação", explica Renato Fonseca, presidente da Anfape, entidade que conta com 40 associadas.

Segundo Fonseca, as montadoras se valem da patente de desenho industrial para defender a proibição da produção e comercialização de peças externas de veículos e, por meio de liminares, já conseguiram que certos componentes deixassem de ser fabricados pelas independentes. "Trata-se de uma proteção equivocada", alega o presidente da Anfape. "Se o consumidor bate o carro e precisar repor uma peça, ele não vai escolher por design e sim pela necessidade de ter aquele componente para substituição", acrescenta.

Conforme o presidente da Anfape, a redução no número de concorrentes resulta ainda na elevação dos preços ao consumidor, uma vez que o equilíbrio no mercado de autopeças é conferido justamente pelas independentes. "O capô do Fiesta, por exemplo, só pode ser comprado em concessionárias", exemplifica. Em junho, a entidade também encaminhou representação ao MPF do Rio de Janeiro, na qual denuncia o impacto aos consumidores no caso de as fabricantes independentes serem impedidas de comercializar peças no mercado secundário. "O consumidor não pode se sujeitar ao monopólio e deve ter sempre alternativas de consumo", defende Fonseca.

Em relação ao regime de patentes, a Anfape defende que o Brasil adote postura similar à assumida por Estados Unidos, Itáloa, Espanha e Reino Unido, que optaram pelo fim dos registros. Neste ano, segundo dados do Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), formado por entidades representativas do segmento de autopeças, dentre as quais o Sindipeças, o faturamento da reposição automotiva pode chegar a R$ 62,6 bilhões, uma alta de 9,5% ante o registrado em 2009.

Fonte : Valor Econômico





 

Data: 12/3/2010

PIB caiu 0,2% em 2009, mas já cresce como antes da crise global
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,2% em 2009, no pior resultado desde 1992 (governo Collor), quando houve recuo de 0,5%. O PIB do último trimestre do ano passado, no entanto, cresceu 2% em relação ao trimestre anterior (8,2% anualizado), descontadas as influências sazonais.

A economia, na verdade, já retomou um ritmo que é, no mínimo, equivalente ao dos três primeiros trimestres de 2008, quando o crescimento em 12 meses estava em torno de 6,5%. O nível absoluto do PIB já quase encostou no do terceiro trimestre de 2008, que corresponde ao ponto mais alto jamais alcançado. Os dados do PIB foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O mau desempenho em 2009 foi puxado por dramáticas quedas na indústria e nos investimentos, de respectivamente 5,5% e 9,9%. Diretamente ligados à grande crise global deflagrada em setembro de 2008, esses resultados são os piores desde o início da atual série do PIB, em 1996. Na indústria, o pior desempenho em 2009 foi justamente o do coração do setor, a indústria de transformação, que recuou 7%.

"Os números de 2009 devem-se a uma pancada muito forte, mas que já está superada, com essa recuperação muito rápida", comentou o economista Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio.

O resultado brasileiro do ano passado, na realidade, representa mais uma estagnação do que uma queda, já que está muito próximo a zero. Numa comparação global de países de economia relevante, o Brasil figura entre os de performance menos ruim. Em valores, o PIB do Brasil em 2009 registrou R$ 3,143 trilhões.

Apesar do PIB decepcionante de 2009, o consumo das famílias continuou a crescer, registrando expansão de 4,1%. Isso significa uma quebra na aceleração entre 2004 e 2008, período no qual o indicador subiu em ritmo crescente de 3,8% até 7%. Ainda assim, como nota Pessôa, o crescimento do consumo das famílias de 4,1% fez com que a população sentisse os efeitos da crise de forma muito atenuada: "É o que explica a manutenção em alta da popularidade do governo".

Também ligado ao bom ritmo do consumo das famílias, o setor de serviços sobressaiu-se em 2009, sendo o único que apresentou variação positiva, com crescimento de 2,6%. O maior destaque nos serviços foi o segmento de intermediação financeira, que inclui crédito bancário, seguros, planos de saúde e previdência complementar, que cresceu 6,5% .

A agropecuária teve recuo de 5,2% no ano passado, prejudicada pela queda na produção de lavouras importantes. Houve quedas ainda na pecuária e na exploração florestal. Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, nota que a agropecuária caiu em todos os trimestres de 2009, comparados a iguais períodos de 2008. "Todas as lavouras sofreram bastante no ano passado, não só pela crise mas também por causa das chuvas", comentou Rebeca.

O IBGE também anunciou ontem revisões em quatro dos três trimestres anteriores ao último de 2009 - exatamente o período que compreende a crise global, desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. A revisão mostra um PIB que cai mais no primeiro momento, mas também se recupera mais velozmente.

Assim, o resultado (sempre na comparação com o trimestre anterior, em base dessazonalizada) do último trimestre de 2008 passou de queda de 2,9% para 3,5%; o do primeiro trimestre de 2009 manteve-se em queda de 0,9%; o crescimento no segundo trimestre do ano passado aumentou de 1,1% para 1,4%; e o do terceiro trimestre subiu de 1,3% para 1,7%.

Rebeca explicou que não houve nenhuma revisão dos dados em si, mas que essas mudanças decorrem do método de dessazonalização, que sempre acarreta mudanças quando novo resultado trimestral é divulgado.

Na realidade, o mercado já esperava que houvesse revisões, e acertou em cheio o resultado do PIB de 2009, com a mediana das projeções colhidas pela Agência Estado batendo exatamente em recuo de 0,2%.

Fonte : O Estado de S. Paulo/Fernando Dantas





 

Data: 12/3/2010

Crédito para veículos sobe 14%, e inadimplência e juros recuam
O saldo da carteira de crédito para aquisição de veículos pelos consumidores atingiu R$ 158,2 bilhões em janeiro, com alta de 13,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras).

Desse montante, R$ 95,8 bilhões correspondem ao CDC (Crédito Direto ao Consumidor), que subiu 17,4%. Já a carteira de leasing chegou a R$ 62,4 bilhões, com expansão de 8,9%.

"Esse é um bom momento para o mercado e as projeções são de crescimento para o setor automobilístico. Os dados mostram que alcançamos um patamar muito positivo neste período pós-crise", afirma Luiz Montenegro, presidente da associação.

A taxa média de juros praticada pelas financeiras associadas à Anef ficou em 1,4% ao mês (18,16% ao ano). Em janeiro do ano passado, chegou a 1,75% ao mês (23,14% ao ano).

A inadimplência acima de 90 dias para as operações de CDC fechou o mês em 4,3%, com leve melhora em relação ao mesmo período do ano anterior (4,6%).

Os planos de financiamentos disponibilizados pelas instituições financeiras estão na média em 42 meses - eram 40 em janeiro de 2009. Já os planos máximos cresceram de 60 para 80 meses.

Fonte : Folha de S. Paulo





 

Data: 12/3/2010

Audi contabiliza incremento de 48% nas vendas no Brasil
A fabricante de veículos de luxo Audi acaba de anunciar que em fevereiro foram contabilizados bons resultados para os negócios, com crescimento em todos os principais mercados de atuação da marca. Segundo os números divulgados, foram comercializados no mês passado aproximadamente 75.900 automóveis da marca, resultado 19,9 % superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Já no Brasil, as vendas da Audi subiram 48% no mês passado, com a comercialização de 188 veículos, contra 127 automóveis vendidos no ano anterior. Neste primeiro bimestre deste ano, a marca contabiliza o emplacamento de 402 veículos contra apenas 251 no mesmo período do ano passado, acumulando aumento de 60%.

Além disso, somados também os dois primeiros meses do ano, as vendas da montadora alemã no mundo registraram incremento de 28,7 %. “Estamos no caminho certo para um forte primeiro trimestre, principalmente graças à nossa posição de liderança na China e na Europa Ocidental. Mas a marca também está atuando muito bem nos Estados Unidos”, explica Peter Schwarzenbauer, membro da diretoria de Marketing e Vendas da Audi AG.

Fonte : Webtranspo





 

Data: 12/3/2010

BMW lucra 210 milhões de euros em 2009, com vendas recorde no Brasil
A BMW anunciou, nesta quinta-feira (11), que registrou lucro de 210 milhões de euros em 2009, superando as expectativas, que eram de lucrar 170 milhões de euros. O resultado, no entanto, representa queda de 36,4% frente ao lucro líquido do ano anterior.

Já as receitas da empresa caíram 4,7% no período, totalizando 50,681 milhões de euros, perdas, no entanto limitadas pelos países emergentes, que apresentaram recordes de crescimento nas vendas da companhia.

No Brasil, as vendas da BMW bateram recorde. A marca registrou alta de 118,8% nas vendas, que totalizaram 6,3 mil unidades em 2009. A expansão é justificada pela empresa como resultado da nova estratégia de vendas e marketing adotada no início de 2009 e também ao aumento do portfólio de produtos, o que inclui os modelos BMW 118i e BMW Série 1, com nova motorização, e a 320i com novo pacote.

Na China, as vendas somaram 90,5 mil unidades, aumento de 37,5%, enquanto na Índia foi verificado um crescimento de 24,4%, para 3,6 mil unidades.

Por outro lado, a Alemanha, maior mercado em unidades vendidas do grupo, obteve recuo de 9,4% nas vendas. Nos EUA, a retração foi de 20,3%."Nós desempenhamos bem em 2009 apesar das condições difíceis do mercado em todo o mundo", afirmou o presidente executivo do grupo alemão, Norbert Reithofer.

Para 2010, a BMW prevê um aumento de 50 mil veículos vendidos em todo o mundo, o que levaria a produção a um total de 1,3 milhão. "Nós estamos prudentemente otimistas para este ano. Nós planejamos crescer nossas vendas novamente na China, Brasil e na Índia", afirmou o executivo.

Fonte : Globo.com/G1





 

Data: 12/3/2010

Volkswagen confirma queda de 80% no lucro de 2009
A alemã Volkswagen, maior montadora da Europa, viu seu lucro líquido cair 80% em 2009, para 960 milhões de euros (US$ 1,3 bilhão). O anúncio de hoje confirma os números preliminares divulgados em fevereiro. Em 2008, a empresa havia lucrado 4,8 bilhões de euros.

A receita caiu quase 8%, de 114 bilhões de euros em 2008 para 105,2 bilhões de euros em 2009. A produção global declinou 4,6% nessa comparação, para 6,1 milhões de veículos. Já o lucro operacional baixou 71%, totalizando 1,9 bilhão de euros.

A empresa avalia que o clima para a indústria automotiva mundial continuará adverso em 2010 e diz que o volume de vendas deve voltar ao patamar pré-crise somente em 2012.

No entanto, a receita e o lucro operacional da Volks em 2010 devem superar os números de 2009, conforme a montadora mantém seu foco em ampliar a eficiência e a participação de mercado, por meio do lançamento de novos modelos e do aumento de entregas.

As marcas da Volkswagen incluem a Audi, a Seat, a Bentley e a Skoda. A empresa também controla duas das maiores fabricantes europeias de caminhões - a alemã MAN e a sueca Scania.

A VW também adquiriu 49,9% da Porsche no ano passado e tem planos para assumir o controle da lendária fabricante de carros esporte. A Volks alega enxergar uma lógica financeira, industrial e estratégica nessa operação.

A intenção da Volkswagen é atingir em 2018 a meta de vender mais de 10 milhões de veículos anualmente, ultrapassando a Toyota, que hoje é a maior montadora mundial.

Fonte : Valor Econômico





 

Data: 12/3/2010

Produção de automóveis na Europa cai 17,3% em 2009
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA, em inglês) divulgou nesta quinta-feira (11) os números da produção de 2009. As montadoras produziram no ano passado 15,2 milhões de veículos, 17,3% menos do que em 2008 e 23% menos do que em 2007, último ano antes da crise. O índice é o mais baixo desde 1996. Assim como no Brasil, a crise foi ainda mais forte no setor de caminhões, que registrou uma queda de 64%, a mais baixa da história da associação.

A queda foi provocada pelo reajuste da produção das montadoras, cujos estoques já estavam acima do limite. Contudo, graças a incentivos fiscais de alguns países da União Europeia, houve um aumento na produção no último trimestre de 22,8% em relação ao mesmo período de 2008.

A Alemanha continua como o maior fabricante, com 5,2 milhões de unidades produzidas, à frente de Espanha, França e Grã-Bretanha. A maioria dos países da associação registraram queda na produção, exceto a República Checa (aumento de 3%) e a Eslovênia (aumento de 7,5 %).

Menos é mais

O segmento de carros compactos cresceu, aumentando sua participação no mercado de 38,8% para 45%. Graças aos impostos menores e outros incentivos, a venda de carros que emitem menos de 120 g/km de CO2 subiu 59%, o maior aumento de todos os tempos. Nesta categoria foram fabricados 3,2 milhões de carros, 1,2 milhão a mais do que em 2008.

Já o motor diesel perdeu participação no mercado europeu, caindo de 52,7% em 2008 para 45,9% em 2009. A cilindrada média dos motores diesel também caiu, chegando a 1.625 cm³, menor deslocamento desde 1991.

Futurologia

Sem citar números, a associação prevê mais queda em 2010, ano que considera “desafiador, pois a indústria ainda não se recuperou totalmente”. No segmento de veículos comerciais, que teve queda de 32%, a previsão é que o setor fique estagnado, não tendo alterações significativas.

Fonte : iCarros





 

Data: 12/3/2010

Mitsubishi anuncia fim da Ralliart
A Ralliart, divisão esportiva e de automobilismo da Mitsubishi Motors, fechará suas portas no próximo dia 1º de abril. Bem que, pela data, poderia ser uma brincadeira, mas, infelizmente, este não é o caso. "Com a mudança repentina da economia que acontece desde 2008, as circunstâncias dos negócios ao redor de nossa empresa pioraram radicalmente", disse em comunicado o presidente da Ralliart, Masao Taguchi. "Nós chegamos à conclusão de que a Ralliart vai encerrar suas atividades no fim de março de 2010. Nós queremos expressar nossas desculpas sinceras a todos os clientes aos quais nós poderemos trazer inconvenientes", completou o executivo.

O comunicado da empresa diz ainda que a Ralliart não vai mais dar suporte aos clientes no automobilismo; vai cancelar todos os projetos em desenvolvimento e interromper a comercialização de produtos com a marca da preparadora.

A Ralliart foi fundada na Europa em 1984 e tornou-se famosa pelo bom desempenho com carros Mitsubishi em provas de rali na década de 1990. A preparadora foi comprada pela Mitsubishi em 2005. Hoje, existem filiais em 12 países. A parceria entre a Ralliart e a Mitsubishi rendeu o título de construtores no World Rally Championship (WRC), o Mundial de Rali, de 1998. Além de quatro títulos mundiais de WRC entre 1996 a 1999, com o piloto Tommi Mäkinen, e 12 vitórias no Rally Dakar. A Ralliart também teve papel importante no desenvolvimento do Lancer Evo para provas do Grupo N de rali. A Mitsubishi declarou que este trabalho ficará a cargo de agora em diante da própria marca.

Fonte : Carsale





 

Data: 12/3/2010

Ford produz B-Max
A Ford vai produzir na planta de Craiova, na Romênia, o B-Max. O novo modelo se posicionará entre o Fiesta e o C-Max e a produção terá início ainda este ano.

O vice-presidente da Ford da Europa, Wolfgang Schneider, disse também que o grupo planeja usar um empréstimo do Banco Europeu de Investimento, no valor de 400 milhões de euros, para o desenvolvimento da produção de veículos comerciais. Atualmente, a planta de Craiova produz o comercial Transit Connect.

Fonte : MotorDream





 

Data: 12/3/2010

Com produção de bens, países pobres "exportam" 23% de seu CO2
Quase um quarto do volume de gases do efeito estufa emitidos por países pobres (23%) tem como origem produtos e serviços vendidos a países ricos, indica um estudo.

Analisando a complexa malha internacional de relações comerciais, o trabalho conclui que em 2004, ano base da pesquisa, nações desenvolvidas produziram indiretamente 6,2 bilhões de toneladas de gás carbônico.

Assinado por Steven Davis e Ken Caldeira, da Instituição Carnegie de Washington, o estudo avaliou o comércio relacionado a 57 setores da indústria em 113 países.

Publicado na edição de ontem da revista "PNAS", o trabalho contribui para o debate de uma das grandes questões na negociação de metas de cortes de emissões. O CO2 emitido para produzir um determinado bem deve ser contabilizado por quem o fabrica ou por quem o consome?

"Estamos mostrando que uma política regional para combater o aquecimento global não seria eficiente nos EUA, por exemplo, se as pessoas puderem simplesmente importar produtos de países como a China e esses países não tiverem restrição de emissões", disse Davis à Folha.

Esses dois países são mesmo exemplos diametralmente opostos - um "importa" CO2 enquanto o outro "exporta" -, mas ambos se beneficiam da situação.

Se por um lado a China engorda sua economia queimando combustíveis fósseis para produzir bens exportáveis, por outro os americanos acabam mascarando o impacto ambiental de seu consumismo.

Davis, porém, diz que mapear esse comércio disfarçado de emissões pode ajudar na negociação do acordo do clima. "A China e outros países relutantes em se comprometer com uma meta de redução de emissões podem se tornar mais propensos a negociar se puderem usar esse argumento para convencer nações ricas a pagarem parte do custo de mitigação."

A estimativa da responsabilidade indireta dos países ricos no estudo de Davis é até conservadora, porque só considera a emissão de CO2 por meio de queima de combustíveis fósseis.

Atividades econômicas que alimentam o desmatamento brasileiro, por exemplo, ainda não foram contabilizadas, por serem mais complexas.

Ele também ataca o conceito de "responsabilidade histórica" dos países ricos sobre o aquecimento global. Segundo esse argumento, essas nações deveriam arcar com a conta da mitigação da mudança climática mais por terem emitido gases-estufa no passado do que no presente, pois muitas delas já não são grandes emissoras.

Se o consumo em nações desenvolvidas for responsabilizado por emissões, porém, nações "limpas", como o Japão e os países nórdicos, ainda são grandes emissores. "A tendência histórica está continuando, não se alterando", diz Davis.

Luiz Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados da USP, especialista em mudança climática, diz que uma divisão de responsabilidades sobre emissões levando em conta o consumo em vez da produção não seria necessariamente mais justa. "Não há nenhuma regra física dizendo que uma seja melhor que outra."

Para ele, porém, quanto mais o acordo global do clima atrasa, mais o desequilíbrio na "balança comercial" das emissões estimula o que todos temem: a criação de impostos sobre produtos que emitem carbono.

Fonte : Folha de S. Paulo/Rafael Garcia