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Data: 3/8/2012

Alckmin oferece ICMS para evitar corte na GM
 
O governo do Estado de São Paulo está disposto a liberar crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a General Motors investir na fábrica de São José dos Campos. Com isso, o governador Geraldo Alckmin espera impedir que a montadora demita 1,5 mil funcionários, ameaça feita após o encerramento da produção dos modelos Zafira, Meriva e Corsa.

"Vamos liberar crédito de ICMS para incentivar o investimento", disse o governador ontem, após encontro com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no Palácio dos Bandeirantes. "Vamos entrar em entendimento com a GM e com o governo federal sobre isso", afirmou.

Segundo o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, o encontro foi positivo. "O governador se posicionou contra as demissões e se comprometeu a usar os mecanismos de que dispõe para a montadora investir em uma nova linha de veículos em São José dos Campos", afirmou.

De acordo com o governo, o incentivo a ser liberado se daria por meio do programa Pró-Veículo, que vincula o crédito de ICMS das exportações de automóveis ao investimento na modernização e ampliação de fábricas em São Paulo. "Vamos criar perspectiva de que uma nova linha seja colocada em São José dos Campos", disse um porta-voz, reiterando que a montadora também teria de manter a produção do modelo Classic.

"O governador afirmou que vai propor a manutenção da fabricação do Classic em São José para evitar a importação desse modelo da Argentina, como a GM planeja fazer", disse Barros. Ele informou ainda que Alckmin também se comprometeu a discutir o tema com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Amanhã, os sindicalistas terão nova rodada de negociações com a GM e representantes do Ministério do Trabalho para tentar evitar as demissões. Também participará o secretário estadual de Emprego e Relações de Trabalho, Carlos Ortiz, que colocará na mesa a proposta de crédito de ICMS.

Protesto

Com faixas de protesto contra as declarações do ministro Mantega, que afirmou que não vai interferir na decisão da GM e que os empregos na montadora estariam com "saldo positivo", cerca de 1,5 mil trabalhadores da empresa pararam por uma hora, na manhã de ontem, a Rodovia Presidente Dutra, a mais importante do País.

As faixas com os dizeres "Dilma, cala a boca do Mantega e proíba as demissões" e "Cala a boca, Mantega" e pneus queimados foram usados para parar o trânsito na altura do quilômetro 141, causando um congestionamento de mais de 10 quilômetros por mais de uma hora.

Barros desconfia que o setor chamado de MVA, que atualmente produz apenas o modelo Classic, seja fechado hoje. Segundo ele, "o processo de esvaziamento da fábrica foi iniciado na noite de quarta-feira". Após a manifestação, os trabalhadores não voltaram ao trabalho.

A GM informou que "acatou, por liberalidade, solicitação feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de concessão de licença remunerada por um dia, para todos 7,2 mil empregados do complexo com o objetivo de se preservar a integridade física de todos os colaboradores". Na semana passada, a GM usou igual argumento para dispensar todo o pessoal na terça-feira.

"Com a manifestação, queremos dar um recado para a presidente Dilma Rousseff, de que não vamos aceitar as demissões. Continuamos de pé em nossa luta, não vamos nos curvar perante os ataques da empresa e à irresponsabilidade do ministro Mantega, que prefere defender os interesses da GM e menosprezar a demissão que pode atingir 2 mil trabalhadores", afirmou Barros.

Fonte : O Estado de S. Paulo/Bianca Ribeiro e João Carlos