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Data: 16/8/2012

Montadoras preveem vendas de ônibus 20% menores
 
O mercado de ônibus no Brasil anda em marcha lenta. Depois de um ano recorde, com vendas em torno de 30 mil unidades, 2012 começou com três fatores adversos: eleições municipais, mudança de tecnologia de emissões e a demora na publicação do editorial de licitações das linhas interestaduais. Com tudo isso, as empresas de transporte rodoviário do País devem comprar 20% a menos que em 2011. “Não será um ano tão catastrófico como 2008 ou 2009, mas teremos uma queda considerável”, disse o presidente da Volvo Latin America, Luis Carlos Pimenta.

A Volvo, aliás, “surfa” nessa onda adversa graças a contratos fechados com antecedência. De janeiro a julho deste ano, segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas cresceram 163,1% passando de 412 unidades para 1.084. O que puxou essa expansão, segundo Pimenta, foi o contrato que a montadora sueca fechou no início deste ano para atender o sistema de transporte urbano de Manaus. Um negócio de 300 unidades. As entregas começaram em junho.

“O nosso market share chegou a cerca de 25%. Em 2010, esse percentual era de 13% e no ano passado, de 16%. “Esperamos manter essa performance”, disse Pimenta. Esse ganho se deve, principalmente, à entrada em um segmento que mais vende no País, o de ônibus médio com motor dianteiro. “São Veículos muito usados no transporte urbano, em que se concentra a maior parte dos negócios”, acrescentou.

Conterrânea

Outra sueca no mercado, a Scania também projeta mercado 20% menor que no ano passado. Para Wilson Pereira, diretor de ônibus da montadora, os incentivos do governo, que diminuiu as taxas de financiamento do Finame – reduzindo de 7,7% ao ano para 5,5 -, foram fundamentais para frear o ritmo de queda este ano. “É uma medida que pode sustentar o mercado. Este ano temos muitas questões que tradicionalmente dificultam as vendas nesse mercado. Taxas de juros competitivas podem dar em respiro”, disse Pereira. Esse incentivo termina em 30 de agosto e o governo ainda não definiu a prorrogação.

Opinião semelhante tem Ricardo Alouche, diretor de vendas da MAN Latin America. “O setor conseguiu um respiro, mas precisa de estabilidade. O governo tem feito a parte dele. Além dessas taxas competitivas há programas como o Caminho da Escola, que impulsiona a venda de ônibus no País.”A MAN é uma das maiores fornecedoras desse tipo de veículo. A companhia deve entregar até o final deste ano 7 mil ônibus. Há uma licitação de mais de 4 mil equipamentos. Isso pode segurar o mercado também”.

A líder no segmento, Mercedes-Benz, acredita que o mercado de fretamento vem sendo sustentado pelas grandes obras de infraestrutura no País para o transporte de funcionários que trabalham nesse tipo de empreendimento. A Mercedes teve uma participação de 48% nas vendas de ônibus rodoviários e 61% em urbanos. Para o diretor de ônibus da montadora, Gilson Mansur, a renovação de frota de ônibus urbanos segue puxando as vendas do setor. “Diversas cidade de outras regiões estão seguindo essa tendência.”

Fonte : Brasil Econômico/Ana Paula Machado